![]() |
L a m b e t a S/a. | |||||||||||
|
VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS "Todas as crianças precisam ter a mesma chance. Elas não podem ser discriminadas só porque nasceram em uma cidade muito pequena ou porque os pais são pobres e vivem em uma área de periferia. Elas devem ter a chance de estudar em escolas que são iguais às melhores escolas do país. Todas as escolas devem ter o mesmo padrão. Todos os professores e professoras devem ser formados(as) em universidades e cursos com a mesma qualidade. Isso é possível. Se você vai em uma agência do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal, em qualquer cidade do Brasil, o padrão de atendimento e de serviço é o mesmo; são instituições que mostram que o Estado brasileiro tem capacidade de gerar organizações que funcionam. Assim deveria ser também com as escolas. Professores e professoras bem remunerados (as), com meios de trabalho e ambiente adequados. Livros, currículo, computadores, tudo para ajudar a ter o mesmo padrão e a formar as crianças oferecendo-lhes a mesma chance. Os(as) professores(as) devem ter seus salários pagos pelo governo federal, seguindo um plano nacional de educação de qualidade e a escola gerenciada pela prefeitura e pela comunidade, aberta à participação dos pais, das mães e de toda a comunidade." Cristovam Buarque, em debate no plenário do Senado Federal, 10/8/2007 Já se foi o tempo em que ser vítima de violência na escola era ficar com as mãos vermelhas depois de golpes de palmatória, ajoelhar no milho ou passar a aula sentada em um banquinho atrás da porta. Beliscões, ofensas e pegações de pé deram lugar a socos, pontapés, gritarias, pichações, tráfico de drogas, classes e cadeiras quebradas, professores e alunos espancados. A agressão desmedida pulou o muro e as grades e agora está dentro dos pátios das instituições, deturpando um lugar que deveria ser de segurança e educação. O famoso "te pego na saída" deixou de ser só uma ameaça para se tornar espancamento real. O resultado são pais preocupados, diretores de cabelos em pé e alunos que não querem mais voltar à aula. Atentas aos noticiários sobre a violência nas escolas elaboramos um formulário bem amplo baseado na pesquisa realizada pela UDEMO (União de Diretores do Magistério Oficial do Estado de São Paulo) no ano de 2000. Por ser uma pesquisa que envolve diversos entrevistados com experiência entre 1 a 30 anos optamos por um formulário com questões amplas em que pudesse ser aplicado simultaneamente. Relacionamos várias vertentes, entre elas: os bens materiais (pichações, arrombamentos, depredações. Blecautes, etc.), pessoas (desacato, agressões, brigas, tráfico e consumo de drogas a até morte), os turnos nos quais a violência ocorre, a indisciplina dos alunos. Também com relação à família, alunos, aos professores, à escola e ao sistema. Se há participação dos pais e da comunidade, se a violência interfere na qualidade do ensino e no projeto pedagógico e por fim sugestões das escolas para solucionar ou minimizar o problema da violência. Optamos também em aplicar o formulário na Escola Estadual Tomás Alves, localizada no Distrito de Souzas/SP para os professores das áreas: Ciências, Educação Física, Física, Geografia, História, Língua Portuguesa, Matemática e Química, inspetor de alunos e cozinheira da escola, pois todos têm uma história para contar. Tudo parece fazer parte do cotidiano. A escola vira espaço de ninguém. A violência nas escolas não é um fenômeno estático que tem mantido as mesmas características ao longo das últimas décadas. Ao contrário, está "evoluindo" cada vez mais nas nossas escolas. Sob diversos aspectos, a violência escolar, hoje, diferencia-se bastante daquela observada em décadas anteriores. Todavia, torna-se indispensável questionar qual o grau de participação da própria escola, da família dos alunos, e não apenas assumir-se uma posição simplista, sem a devida fundamentação, de que o problema da violência reside ou se origina sempre na atitude desses alunos. Fatos alarmantes que insurgem no meio escolar e que muitas vezes, professores coordenadores, diretores e funcionários estão inaptos e despreparados a solucionar tais questões. A maior parte do desempenho escolar é explicada pelas características familiares do aluno. A educação é realmente um bem transmitido de geração para geração, tanto a boa quanto a má educação. A Professora de Educação Física Marisa Adele, no magistério há 30 anos revela sua opinião em relação aos bens materiais: "As depredações são comuns. Os alunos não são educados com suas famílias, nem nas escolas a conservar o patrimônio coletivo. O arrombamento muitas vezes está associado às depredações. E as pichações são uma provocação e um grito de alerta para a necessidade que os nossos jovens têm de expor suas idéias". Verifica-se que a violência invade a escola referente aos bens materiais, conforme as respostas ao formulário, com muita freqüência no período noturno, na média de 60% a 80%. Os entrevistados deram maior destaque para as depredações no prédio (mobiliários, lâmpadas, torneiras, vidros, apedrejamento, alambrados, extintor de incêndios, aparelhos de TV, ventiladores, alarmes, etc.), arrombamentos (portões, cadeados, vitrôs, etc.), danificações de veículos e colocação de explosivos (inclusive granada) dentro da unidade escolar, mas felizmente que não explodiram e o mais grave de todos, disparos contra o prédio escolar. Inclusive fato importante é que a violência é mais latente no horário noturno, entre 19h e 23h. Daniel Pereira, inspetor de alunos há 30 anos confirma o prognóstico: "Os arrombamentos, pichações, invasão ocorrem também nos finais de semana. Nos períodos da manhã e tarde: explosivos, danificação de veículos, furtos, brigas internas e externas, conflito de pais por desacato". Fato interessante ocorre em relação às pessoas. Verifica-se um equilíbrio para os períodos matutinos e vespertinos, mas mesmo assim, no noturno a violência é angustiante. A professora Marisa com relação às pessoas comenta: "Todas as questões do formulário em 'relação às pessoas' acontecem e infelizmente se tornam comuns por motivos, mas os mais relevantes são: a desestruturação familiar, a pobreza e a falta de possibilidades e caminhos para prosperar, a falta de estrutura total da escola pública em acolher, amenizar, neutralizar parcialmente, pelo menos, a ação agressiva e violenta de toda uma geração sem apoio, sem projetos educacionais viáveis que amenizem a violência e a agressividade". Desacatos, agressões e brigas internas tiveram a mesma proporção: 50% manhã e tarde e 100% noite. Já o tráfico e consumo de drogas tomou uma proporção assustadora 100%, no período noturno. Todos os entrevistados já presenciaram o uso de armas por alunos, bem como ameaças de morte aos funcionários e professores no período noturno. O fato é que o cotidiano escolar está impregnado de brigas, discussões, agressões, ameaças, desacatos e conflitos, envolvendo, ainda, os pais dos alunos. Direção, professores e funcionários são alvos constantes de agressões (físicas e verbais) por parte de alunos e pais. A "boa" notícia é que felizmente nenhum entrevistado foi testemunha de tiroteio nas imediações da escola, tiroteio no portão de entrada da escola ou morte de aluno, estupro e/ou abuso sexual contra professores e funcionários, seqüestro relâmpago (Diretor/Professor), furto de armas de policiais femininas e suicídios (alunos, professores ou funcionários). Por outro lado, brigas externas à escola, envolvendo alunos e estupro ou assédio contra alunos tomou uma proporção assustadora, no noturno: 100 e 80% respectivamente. A violência ocorre em todos os turnos. No noturno, geralmente bem mais complicado, aparece em todas as questões. A escola pesquisada tem problemas nos finais de semana e feriados. Como já era esperado, o período da manhã é o menos problemático, mas nos chamou atenção a freqüência da violência no período vespertino. 100% dos entrevistados constataram que a violência aumentou em relação aos anos anteriores, muito embora viaturas da Ronda Escolar percorrer diariamente o perímetro escolar e uma vez por semana entrarem no estabelecimento escolar para verificar porte de drogas, armas, etc. Assustadora é a indisciplina dos alunos, 80% dos entrevistados afirmaram que está insuportável e 20% está se tornando incontrolável. Contribuem para esse quadro crítico, desagregação familiar, desemprego, omissão dos pais, carências múltiplas dos alunos, e número excessivo de alunos em sala de aula, em média 35. A falta de religiosidade, apoio psicológico e assistência social são também apontados por 80% dos entrevistados como motivos para gerar a violência nas escolas. "Educadores também são vítimas de violência verbal, moral e até física mesmo. Não é extremamente comum, mas existem casos. E nesses casos não é só a pessoa do professor quem fica humilhado e vulnerável, é a figura simbólica do professor. Do outro lado da moeda, há professores que agridem seus alunos. Humilham, colocam de castigo. São eventos raros, mas sim, existem", revela nossa entrevistada, Profª Marisa Adele. Infelizmente, as famílias estão transferindo o ônus da educação para a escola. Para que haja uma harmonia entre escola- aluno - família - escola é imprescindível que os familiares acompanhem o trabalho escolar. Os pais devem estimular a vida escolar dos filhos, participar, e conscientizá-los da importância da escola, dos professores e da educação como um todo. Na maioria das vezes as drogas, as violências que nascem no lar, ultrapassam as barreiras e invadem os muros da escola. A ociosidade das crianças e adolescentes, na falta de projetos educacionais ou mesmo projetos de vida, dificuldades de aprendizagem, fracasso escolar, sentimento de impunidade, leis excessivamente permissivas, falta de padrões comportamentais positivos no grupo geram uma descrença no potencial do aluno. Todos entrevistados, oito professores das diversas áreas reclamam da alta rotatividade, excesso de faltas, despreparo, desmotivação, descompromisso, insegurança, deficiências, jornadas extenuantes e baixos salário. Reclamam ainda que, gastam muito tempo com problemas disciplinares, em detrimento do trabalho pedagógico e que não são valorizados pelos alunos e seus pais. E ainda não têm um espaço físico digno para as atividades cotidianas. Nos Conselhos de Classe, bem como nas Horas de Trabalho Pedagógico Coletivas (HTPCs), a maioria do tempo é absorvida pelas discussões, comentários e reclamações sobre a indisciplina e o pouco caso dos alunos em sala de aula. Diante do quadro dramático apresentado, a violência, segundo todos os entrevistados interfere na qualidade do ensino por que: prejudica o clima indispensável à realização do processo ensino-aprendizagem; afasta alunos e professores dos projetos extraclasses; danifica o material didático, prejudicando o desenvolvimento das aulas e dos projetos; consume verbas que poderiam ter melhor aplicação e que acabam sendo gastas em consertos do patrimônio escolar ou recompras de material pedagógico; causa nos alunos: ansiedade, insegurança, queda na auto-estima, desinteresse, desmotivação, reação de autodefesa, apatia, agressividade e dificuldade de relacionamento; causa nos docentes: stress, medo, ansiedade, angústia, insegurança, desmotivação e sentimento de impotência; conduz alunos ao abandono escolar e à retenção, estimula a falta às aulas, gera intrigas e desrespeito, cria situações de vexame constrangedoras para os alunos; prejudicar o relacionamento aluno/aluno, aluno/professor, aluno/órgãos da escola e escola/comunidade. Escrito por Luciana às 18h07 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS Em decorrência ao alto índice de violência e indisciplina, o Projeto Pedagógico chega a tornar-se inviável. Além de tudo, a participação dos pais e da comunidade nos assuntos referentes à escola, a vida estudantil de seus filhos para 90% dos entrevistados é ruim e 10% responderam péssima. A violência nas escolas do Brasil preocupa pais, professores, funcionários, enfim toda a comunidade, uma vez que virou epidemia. E assim para amenizá-la e por fim saná-la é necessário criar condições físicas e motivacionais para alunos e professores. O combate à violência nas escolas passa pela valorização dos professores, pela estrutura física das escolas, além de formação de parcerias entre governo, entidades e comunidade. Professores precisam ter um piso salarial digno, uma jornada de trabalho compatível e uma política de formação/capacitação em serviço, que lhes possibilite acessar os recursos mais diversos para desenvolverem seu trabalho, com sucesso. A violência escolar tem muitas fases: física, moral, discriminatória e psicológica. A raiz da violência está na educação. A educação familiar e escolar forma e valoriza o bem ou o mal. Além de ensinar, os pais esperam que a escola eduque, forme valores, discipline e coloque limites em seus filhos. Esperam ainda que ela dê uma boa educação e acompanhe a vida emocional de seus filhos. Essa sobrecarga da função da escola deve-se a grande transformação que ocorreu na organização familiar nas últimas décadas, passando do modelo patriarcal para o nuclear dando lugar a uma diversidade de formas "familiares". Daí a importância dessa aproximação do responsável pelo filho/aluno com a escola, para que sejam tomadas as devidas providências pedagógicas e buscar os recursos possíveis e disponíveis. Os pais devem ser ouvidos e devem querer ser ouvidos e orientados a colocar limites claros de convivência e ajudar sempre que souberem de algum problema, sem aumentar ou diminuir a informação recebida. Os pais nem sempre conhecem seus filhos! É preciso um envolvimento geral, da sociedade, das comunidades, das famílias, dos governos para uma intervenção que mova e transforme tudo e todos que estão envolvidos com a educação. Modificar e repensar mentalidades e comportamentos não é tarefa rápida, mas nada é impossível quando o empenho e o trabalho sério acontecem. São poucos os jovens que demonstram crença num futuro melhor por meio da educação. Por isso, a escola deve ser mais atraente, mais interessante para conseguir a participação desses jovens e fazê-los vislumbrar uma vida melhor. Esse trabalho, no entanto, tem de ser não apenas da escola, mas também da comunidade e da sociedade. Concluímos que são diversas as causas da violência nas escolas: mudanças socioculturais marcadas pelo individualismo, a falta de referência da família, a crise dos valores e a falta de participação social, o intenso processo de urbanização, as migrações internas com suas conseqüências de desenraizamento social, cultural, afetivo e religioso, a acelerada industrialização, internet, a cultura do consumo, a enorme concentração de renda, a crise ética, a corrupção, o aumento da exclusão e do desemprego pelas quais está atravessando a sociedade e a maneira como essas mudanças influenciam o aumento da violência, normalmente entre os mais novos. Valorizar o professor e dar meios reais do professor aplicar técnicas que valorizem também o aluno, para que assim os alunos se tornarem cidadãos de pleno direito. Será necessário prepará-los para pensar e resolver conflitos, ou teremos uma violência com tendência para aumentar cada vez mais. O ônus da educação não deve tão somente ser da escola. Neste aspecto, o papel da família é crucial, devendo a mesma ser chamada a intervir e a responsabilizar-se pela educação dos seus filhos. Vale ressaltar que as boas experiências de superação da violência escolar sairão do interior das próprias escolas. A primeira tarefa urgente é a sociedade como um todo abolir o discurso, os projetos futuros e agir já, colocando em prática experiências positivas concretas. PONTO.
Escrito por Luciana às 18h06 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
|||||||||||
![]() | ||||||||||||