Livros proibidos
Como uma das principais características do Barroco na literatura, o culto do contraste, o pessimismo e o caráter moralista, a literatura era um instrumento dos religiosos para educar e "pregar".
Mas então, por que tantos livros proibidos?
A censura eclesiástica se tornou uma instituição em 1571 e que intensificou seus trabalhos nos séculos seguintes, como reação à reforma protestante e ao Iluminismo. No século 19, quando a censura do Estado desapareceu paulatinamente na Europa e a censura religiosa deixou de ser praticada no mundo protestante, o "Index" ("Índice dos Livros Proibidos", pela Igreja Católica) se manteve e só foi abolido em 1966, sob o pontificado de Paulo 6º. A decisão de quais títulos iria para a relação de livros proibidos dependia, em boa parte, do censor do turno. Alguns se mostravam radicais e inflexíveis e viam atentados contra a fé em todas as partes, enquanto outros preferiam ser cuidadosos para evitar problemas com proibições de títulos que não se desviavam das crenças católicas.
Os católicos eram proibidos de ler obras que figurassem no "Índice dos Livros Proibidos". Podiam ser condenados, portanto, por ler traduções da Bíblia. A igreja, que tinha o latim como língua oficial, temia a leitura dos textos sagrados sem supervisão eclesiástica.
A Reforma Protestante do século 16 que criou, a partir do catolicismo, novas orientações religiosas estimulava os fiéis à leitura da Bíblia na sua língua materna. Muitas bíblias foram queimadas nas fogueiras da Inquisição. A Inquisição foi estabelecida pelo papa Gregório 9º, em 1233, como uma corte especial para combater e impedir heresias. Aumentou suas atividades no século 15, principalmente na Itália, Espanha e Portugal. Ganhou força no século 16, para fazer frente à Reforma. A partir de Portugal e Espanha, a Inquisição alcançou a América Latina. Chegou ao Nordeste do Brasil, no século 17, na forma de "visitações". Representantes do Santo Ofício viajavam à então colônia portuguesa e vigiavam a prática por cristãos de cultos judaicos, indígenas e africanos.
O Vaticano abriu em 1998 para teólogos e historiadores os arquivos relativos à Inquisição. Com a abertura dos arquivos, casos famosos, como o do monge italiano Giordano Bruno, queimado em Roma em 1600, ou do astrônomo Galileu Galilei, condenado por defender que a Terra se movimenta ao redor do Sol, ganharão novas explicações. Mas dezenas de outras histórias, como as perseguições aos cristãos-novos (judeus convertidos ao catolicismo), serão objeto de novas análises. Parte dos documentos da época foi destruída. A igreja costumava queimar os papéis de assuntos mais delicados. Em 1810, quando Napoleão dominava grande parte da Europa, mais de 2.000 volumes foram queimados ou danificados. Há hoje nos arquivos cerca de 4.500 volumes. Poucos são referentes a julgamentos por heresia. A maior parte detalha controvérsias teológicas e espirituais.
Ponto?!?
Escrito por Luciana às 11h58
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