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Estou no twitter! Ainda não sei exatamente qual a função, finalidade e potencial do twitter. Só sei que tem muita gente bacana por lá! Se o orkut é nada privativo, o twitter é milhões de vezes pior. Dependendo do que os 'twitteiros' escrevem... vixe... sabemos de todos os passos.

Mas, daqui em diante vou tentar atualizar este blog. Colocar meus textos preferidos, resenhas de livros e filmes.

A internet não está aí por acaso. Se existe, há de se aproveitar ao máximo tudo que pode proporcionar.

A propósito, meu twitter é @ProfLuRossi. Vamos 'twittar'?

Ponto.

Beijo, Luciana.



Escrito por Luciana às 17h41
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Esse conto de Caio Fernando Abreu me remete a muitas coisas...

Para um avenca partindo

Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria, uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver
as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualquer
atraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um dia
destes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai ......... ............ ............. ............ .......... ........... ............. ............ ............ ............ ......... ........... ............ ............ sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.



Escrito por Luciana às 21h40
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"Os ventos que às vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que nos trazem algo que aprendemos a amar...Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado...e sim aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre".

Madre Tereza de Calcutá

Ponto.



Escrito por Luciana às 18h13
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Relações frívolas?

Ao ler: "... o ser humano vale pelo que produz e pelo que consome.", lembrou-me exatamente a seguinte situação, quando conhecemos uma pessoa, seja ela para amizades ou relacionamento, a primeira pergunta que todos nós fazemos institivamente ou não é perguntar:"O que você faz da vida?", "Onde trabalha?", "Mora onde?" e assim sucessivamente.

São relações que visam tão somente a posisão social. Isso faz parte da nossa sociedade de consumo. Faz parte da nossa vida?
Se vivemos numa sociedade tão voltada para a aparência, que valoriza tanto os aspectos não essenciais da vida, onde estaria a verdadeira satisfação para o indivíduo? A sanha de consumo pode representar um tipo de fuga pela trivialidade, em que o indivíduo se esconde atrás de uma posse qualquer.
A sociedade moderna é ambiente fértil para o florescimento do lado escuso do ser humano! E nem tudo é aparentemente feio, previsível, identificável, óbvio. Às vezes uma bela maçã esconde vermes asquerosos e enervantes, enquanto um maracujá murcho apraz e relaxa.

Nossa sociedade é assim: cheia de aparências que enganam. Talvez por isso ela seja tão pródiga em neuroses, egoísmos, degenerações dos que se perdem, ou dos que saem aos seus...

As pessoas que insistem em ser honestas, contra toda a lógica dominante, tentam passar incólumes pelos cruzamentos, pelas ruas esquecidas e pela corrupção e violência onipresentes, perigosamente ocultas ou despudoradamente visíveis, "legalmente" protegidas, corporativamente "blindadas", sociamente preservadas e relevadas. Elas tentam sobreviver, de olhos bem abertos e portas e vidros bem fechados.

Os ideais e princípios agonizam em meio a modismos fabricados e projetos de poder. Os jovens carecem de referenciais edificantes, de família. Com isso, eles acabam seguindo modelos distorcidos herdados, ou se opõem inconseqüentemente a tudo, testando limites físicos e morais em aventuras destrutivas ou auto-destrutivas.

Então, o que fazer?

Ao olhar para si mesmo há um processo de conhecimento.Percebe-se que existe espaço para desenvolver um potencial deveras criativo. O ser humano, de maneira geral, não costuma perceber-se, conhecer-se e valorizar-se. Esse é um ponto que fica um pouco obscuro quando se lê e se fala de relacionamento. Se a descoberta do outro é necessária nas relações sociais, a relação consigo mesmo é indispensável para que haja relacionamento sadio com o outro e também com o mundo.

Ponto?!?



Escrito por Luciana às 22h21
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Caio Fernando Abreu, escritor gaúcho, faleceu nos anos 90 devido à Aids. Seus textos são líricos, lúdicos, de uma delicadeza que me comove muitas vezes. Grande escritor.

"Tenho um dragão que mora comigo.
Não, isso não é verdade.
Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço - seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu.
Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele estava comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs da ausência dele, pensei assim: os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderam no caos da desordem sem nexo.

Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.

Essa imagem me veio hoje pela manhã quando abri a janela e vi que não suportaria passar mais um dia sem contar essa história de dragões. Gosto de dizer, tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade.

Como eu dizia, um dragão jamais pertence a nem mora com alguém. Seja uma pessoa banal igual a mim, seja um unicórnio, salamandra, elfo, sereia ou ogro. Eles não dividem seus hábitos. Ninguém é capaz de compreender um dragão. Quem poderia compreender, por exemplo, que logo ao despertar (e isso pode acontecer em qualquer horário, já que o dia e a noite deles acontecem para dentro) sempre batem a cauda três vezes, como se estivessem furiosos, soltando fogo pelas ventas e carbonizando qualquer coisa próxima num raio de mais de cinco metros? Hoje, pondero: talvez seja a sua maneira desajeitada de dizer: que seja doce."

                                                                                                                                                                            Os dragões não conhecem o paraíso. (1988)

Ponto.



Escrito por Luciana às 22h45
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A SEGUNDA VEZ QUE TE CONHECI, de Marcelo Rubens Paiva

Ao contrário da crônica, “O amor acaba”, de Paulo Mendes Campos, Marcelo Rubens Paiva, autor de “Feliz Ano Velho” lançou no final de novembro seu sexto romance, “A segunda vez que te conheci”, no qual narra o reencontro, depois de anos de separação, do jornalista Raul com a filósofa Ariela. Entre o abandono e o reencontro, Raul casou e separou de Fabi, melhor amiga de Ariela, perdeu o emprego na importante revista em que trabalhava (substituído por um talento mais jovem) e enveredou pelo ramo do agenciamento de garotas de programa.

 “Ariela começou a me fazer falta dois segundos depois que saiu da garagem.

Ariela era tudo na minha vida.

Com sua paciência e didatismo.

Sempre disponível.

Sempre apaixonada.

A vida dentro de casa era o que havia de mais importante para ela, que não fazia questão de trabalhar. Ariela queria paz. Não tinha ciúmes da agitação da minha vida. Não competia. Era tão sábia, superior a todos. Me dava conselhos, corrigia meus textos. Me botava pra cima.

Coloquei tudo a perder.”

 

O amor realmente acaba?

É que o talentoso Marcelo Rubens Paiva, aos 49 anos, em minha opinião, um dos melhores escritores desta geração tenta responder.

Quase um roteiro de cinema pronto ou uma peça de teatro, tal o predomínio dos diálogos, rápidos e bem construídos, “A segunda vez que te conheci” é também um retrato, ainda que inacabado, de um certo ambiente jornalístico que o autor conhece bem. Reflexões, pouco edificantes, sobre este mundo jornalístico integram a obra.

Todos seus romances têm finais bem surpreendentes. Este último comprova que uma boa idéia, pode se tornar uma boa obra.

A idéia de que podemos amar uma pessoa repetidamente é um dos temas do livro. Mas será que isso é verdade? E a admiração pela companheira (o)? Acaba-se? Ou renova-se? São reflexões que ele nos traz de maneira simplista e precisa.

 

 “O amor não acaba. Deixa rastros. Na esquina em que se beijaram uma vez, lá está ele, na poeira suspensa, na revolta da memória. Na solidão do domingo, lá vem ele, volta com lamento, um desespero. No teatro, no palco de história de amor, no cinema, na tela com beijos e risos, na tevê, que inveja, já tive um amor igual. Onde ele se escondeu?

Na sorveteria, o amor volta em lembranças. Porque aquele sabor era o preferido dela, aquela cobertura era a preferida, aquela sorveteria era a preferida, aquela esquina, bairro, clima, lua, aquele mês era o preferido dela, a temperatura, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos para a noite.

No elevador, quantas saudades daqueles segundos em silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrarem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, riscar nas paredes: ‘Eu te amo’. Não se tem saudades do que não se ama.”

                Entretanto, não obstante a tudo: lembranças, saudade, esperança, etc., o amor quando nos dá possibilidade de segunda chance não pode ser desperdiçado. Se vai dar certo... não sabemos. É uma verdadeira loteria!

Ponto?!?



Escrito por Luciana às 13h49
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O AMOR ACABA, de Paulo Mendes Campos

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

O amor acaba: crônicas líricas e existenciais. 2a ed., Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 21-22.



Escrito por Luciana às 13h07
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VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

"Todas as crianças precisam ter a mesma chance. Elas não podem ser discriminadas só porque nasceram em uma cidade muito pequena ou porque os pais são pobres e vivem em uma área de periferia. Elas devem ter a chance de estudar em escolas que são iguais às melhores escolas do país. Todas as escolas devem ter o mesmo padrão. Todos os professores e professoras devem ser formados(as) em universidades e cursos com a mesma qualidade. Isso é possível. Se você vai em uma agência do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal, em qualquer cidade do Brasil, o padrão de atendimento e de serviço é o mesmo; são instituições que mostram que o Estado brasileiro tem capacidade de gerar organizações que funcionam. Assim deveria ser também com as escolas. Professores e professoras bem remunerados (as), com meios de trabalho e ambiente adequados. Livros, currículo, computadores, tudo para ajudar a ter o mesmo padrão e a formar as crianças oferecendo-lhes a mesma chance. Os(as) professores(as) devem ter seus salários pagos pelo governo federal, seguindo um plano nacional de educação de qualidade e a escola gerenciada pela prefeitura e pela comunidade, aberta à participação dos pais, das mães e de toda a comunidade."

Cristovam Buarque, em debate no plenário do Senado Federal, 10/8/2007

           Já se foi o tempo em que ser vítima de violência na escola era ficar com as mãos vermelhas depois de golpes de palmatória, ajoelhar no milho ou passar a aula sentada em um banquinho atrás da porta. Beliscões, ofensas e pegações de pé deram lugar a socos, pontapés, gritarias, pichações, tráfico de drogas, classes e cadeiras quebradas, professores e alunos espancados. A agressão desmedida pulou o muro e as grades e agora está dentro dos pátios das instituições, deturpando um lugar que deveria ser de segurança e educação. O famoso "te pego na saída" deixou de ser só uma ameaça para se tornar espancamento real. O resultado são pais preocupados, diretores de cabelos em pé e alunos que não querem mais voltar à aula.

          Atentas aos noticiários sobre a violência nas escolas elaboramos um formulário bem amplo baseado na pesquisa realizada pela UDEMO (União de Diretores do Magistério Oficial do Estado de São Paulo) no ano de 2000.

          Por ser uma pesquisa que envolve diversos entrevistados com experiência entre 1 a 30 anos optamos por um formulário com questões amplas em que pudesse ser aplicado simultaneamente.

        Relacionamos várias vertentes, entre elas: os bens materiais (pichações, arrombamentos, depredações. Blecautes, etc.), pessoas (desacato, agressões, brigas, tráfico e consumo de drogas a até morte), os turnos nos quais a violência ocorre, a indisciplina dos alunos. Também com relação à família, alunos, aos professores, à escola e ao sistema. Se há participação dos pais e da comunidade, se a violência interfere na qualidade do ensino e no projeto pedagógico e por fim sugestões das escolas para solucionar ou minimizar o problema da violência.

           Optamos também em aplicar o formulário na Escola Estadual Tomás Alves, localizada no Distrito de Souzas/SP para os professores das áreas: Ciências, Educação Física, Física, Geografia, História, Língua Portuguesa, Matemática e Química, inspetor de alunos e cozinheira da escola, pois todos têm uma história para contar. Tudo parece fazer parte do cotidiano. A escola vira espaço de ninguém.

            A violência nas escolas não é um fenômeno estático que tem mantido as mesmas características ao longo das últimas décadas. Ao contrário, está "evoluindo" cada vez mais nas nossas escolas. Sob diversos aspectos, a violência escolar, hoje, diferencia-se bastante daquela observada em décadas anteriores. Todavia, torna-se indispensável questionar qual o grau de participação da própria escola, da família dos alunos, e não apenas assumir-se uma posição simplista, sem a devida fundamentação, de que o problema da violência reside ou se origina sempre na atitude desses alunos.

            Fatos alarmantes que insurgem no meio escolar e que muitas vezes, professores coordenadores, diretores e funcionários estão inaptos e despreparados a solucionar tais questões.

            A maior parte do desempenho escolar é explicada pelas características familiares do aluno. A educação é realmente um bem transmitido de geração para geração, tanto a boa quanto a má educação.

            A Professora de Educação Física Marisa Adele, no magistério há 30 anos revela sua opinião em relação aos bens materiais: "As depredações são comuns. Os alunos não são educados com suas famílias, nem nas escolas a conservar o patrimônio coletivo. O arrombamento muitas vezes está associado às depredações. E as pichações são uma provocação e um grito de alerta para a necessidade que os nossos jovens têm de expor suas idéias".

            Verifica-se que a violência invade a escola referente aos bens materiais, conforme as respostas ao formulário, com muita freqüência no período noturno, na média de 60% a 80%.  Os entrevistados deram maior destaque para as depredações no prédio (mobiliários, lâmpadas, torneiras, vidros, apedrejamento, alambrados, extintor de incêndios, aparelhos de TV, ventiladores, alarmes, etc.), arrombamentos (portões, cadeados, vitrôs, etc.), danificações de veículos e colocação de explosivos (inclusive granada) dentro da unidade escolar, mas felizmente que não explodiram e o mais grave de todos, disparos contra o prédio escolar.

            Inclusive fato importante é que a violência é mais latente no horário noturno, entre 19h e 23h.

            Daniel Pereira, inspetor de alunos há 30 anos confirma o prognóstico: "Os arrombamentos, pichações, invasão ocorrem também nos finais de semana. Nos períodos da manhã e tarde: explosivos, danificação de veículos, furtos, brigas internas e externas, conflito de pais por desacato". 

            Fato interessante ocorre em relação às pessoas. Verifica-se um equilíbrio para os períodos matutinos e vespertinos, mas mesmo assim, no noturno a violência é angustiante.

            A professora Marisa com relação às pessoas comenta: "Todas as questões do formulário em 'relação às pessoas' acontecem e infelizmente se tornam comuns por motivos, mas os mais relevantes são: a desestruturação familiar, a pobreza e a falta de possibilidades e caminhos para prosperar, a falta de estrutura total da escola pública em acolher, amenizar, neutralizar parcialmente, pelo menos, a ação agressiva e violenta de toda uma geração sem apoio, sem projetos educacionais viáveis que amenizem a violência e a agressividade".

            Desacatos, agressões e brigas internas tiveram a mesma proporção: 50% manhã e tarde e 100% noite. Já o tráfico e consumo de drogas tomou uma proporção assustadora 100%, no período noturno. Todos os entrevistados já presenciaram o uso de armas por alunos, bem como ameaças de morte aos funcionários e professores no período noturno. O fato é que o cotidiano escolar está impregnado de brigas, discussões, agressões, ameaças, desacatos e conflitos, envolvendo, ainda, os pais dos alunos. Direção, professores e funcionários são alvos constantes de agressões (físicas e verbais) por parte de alunos e pais.

            A "boa" notícia é que felizmente nenhum entrevistado foi testemunha de tiroteio nas imediações da escola, tiroteio no portão de entrada da escola ou morte de aluno, estupro e/ou abuso sexual contra professores e funcionários, seqüestro relâmpago (Diretor/Professor), furto de armas de policiais femininas e suicídios (alunos, professores ou funcionários). Por outro lado, brigas externas à escola, envolvendo alunos e estupro ou assédio contra alunos tomou uma proporção assustadora, no noturno: 100 e 80% respectivamente.

            A violência ocorre em todos os turnos. No noturno, geralmente bem mais complicado, aparece em todas as questões. A escola pesquisada tem problemas nos finais de semana e feriados. Como já era esperado, o período da manhã é o menos problemático, mas nos chamou atenção a freqüência da violência no período vespertino. 100% dos entrevistados constataram que a violência aumentou em relação aos anos anteriores, muito embora  viaturas da Ronda Escolar percorrer diariamente o perímetro escolar e uma vez por semana entrarem no estabelecimento escolar para verificar porte de drogas, armas, etc.

            Assustadora é a indisciplina dos alunos, 80% dos entrevistados afirmaram que está insuportável e 20% está se tornando incontrolável. Contribuem para esse quadro crítico, desagregação familiar, desemprego, omissão dos pais, carências múltiplas dos alunos, e número excessivo de alunos em sala de aula, em média 35. A falta de religiosidade, apoio psicológico e assistência social são também apontados por 80% dos entrevistados como motivos para gerar a violência nas escolas.

"Educadores também são vítimas de violência verbal, moral e até física mesmo. Não é extremamente comum, mas existem casos. E nesses casos não é só a pessoa do professor quem fica humilhado e vulnerável, é a figura simbólica do professor. Do outro lado da moeda, há professores que agridem seus alunos. Humilham, colocam de castigo. São eventos raros, mas sim, existem", revela nossa entrevistada, Profª Marisa Adele.

            Infelizmente, as famílias estão transferindo o ônus da educação para a escola. Para que haja uma harmonia entre escola- aluno - família - escola é imprescindível que os familiares acompanhem o trabalho escolar. Os pais devem estimular a vida escolar dos filhos, participar, e conscientizá-los da importância da escola, dos professores e da educação como um todo.

          Na maioria das vezes as drogas, as violências que nascem no lar, ultrapassam as barreiras e invadem os muros da escola. A ociosidade das crianças e adolescentes, na falta de projetos educacionais ou mesmo projetos de vida, dificuldades de aprendizagem, fracasso escolar, sentimento de impunidade, leis excessivamente permissivas, falta de padrões comportamentais positivos no grupo geram uma descrença no potencial do aluno.

        Todos entrevistados, oito professores das diversas áreas reclamam da alta rotatividade, excesso de faltas, despreparo, desmotivação, descompromisso, insegurança, deficiências, jornadas extenuantes e baixos salário. Reclamam ainda que, gastam muito tempo com problemas disciplinares, em detrimento do trabalho pedagógico e que não são valorizados pelos alunos e seus pais. E ainda não têm um espaço físico digno para as atividades cotidianas.

         Nos Conselhos de Classe, bem como nas Horas de Trabalho Pedagógico Coletivas (HTPCs), a maioria do tempo é absorvida pelas discussões, comentários e reclamações sobre a indisciplina e o pouco caso dos alunos em sala de aula.

         Diante do quadro dramático apresentado, a violência, segundo todos os entrevistados interfere na qualidade do ensino por que: prejudica o clima indispensável à realização do processo ensino-aprendizagem; afasta alunos e professores dos projetos extraclasses; danifica o material didático, prejudicando o desenvolvimento das aulas e dos projetos; consume verbas que poderiam ter melhor aplicação e que acabam sendo gastas em consertos do patrimônio escolar ou recompras de material pedagógico; causa nos alunos: ansiedade, insegurança, queda na auto-estima, desinteresse, desmotivação, reação de autodefesa, apatia, agressividade e dificuldade de relacionamento; causa nos docentes: stress, medo, ansiedade, angústia, insegurança, desmotivação e sentimento de impotência; conduz alunos ao abandono escolar e à retenção, estimula a falta às aulas, gera intrigas e desrespeito, cria situações de vexame constrangedoras para os alunos; prejudicar o relacionamento aluno/aluno, aluno/professor, aluno/órgãos da escola e escola/comunidade.



Escrito por Luciana às 18h07
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VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

Em decorrência ao alto índice de violência e indisciplina, o Projeto Pedagógico chega a tornar-se inviável.

Além de tudo, a participação dos pais e da comunidade nos assuntos referentes à escola, a vida estudantil de seus filhos para 90% dos entrevistados é ruim e 10% responderam péssima.

A violência nas escolas do Brasil preocupa pais, professores, funcionários, enfim toda a comunidade, uma vez que virou epidemia. E assim para amenizá-la e por fim saná-la é necessário criar condições físicas e motivacionais para alunos e professores. O combate à violência nas escolas passa pela valorização dos professores, pela estrutura física das escolas, além de formação de parcerias entre governo, entidades e comunidade.

Professores precisam ter um piso salarial digno, uma jornada de trabalho compatível e uma política de formação/capacitação em serviço, que lhes possibilite acessar os recursos mais diversos para desenvolverem seu trabalho, com sucesso.

A violência escolar tem muitas fases: física, moral, discriminatória e psicológica.

A raiz da violência está na educação. A educação familiar e escolar forma e valoriza o bem ou o mal.

Além de ensinar, os pais esperam que a escola eduque, forme valores, discipline e coloque limites em seus filhos. Esperam ainda que ela dê uma boa educação e acompanhe a vida emocional de seus filhos. Essa sobrecarga da função da escola deve-se a grande transformação que ocorreu na organização familiar nas últimas décadas, passando do modelo patriarcal para o nuclear dando lugar a uma diversidade de formas "familiares". Daí a importância dessa aproximação do responsável pelo filho/aluno com a escola, para que sejam tomadas as devidas providências pedagógicas e buscar os recursos possíveis e disponíveis. Os pais devem ser ouvidos e devem querer ser ouvidos e orientados a colocar limites claros de convivência e ajudar sempre que souberem de algum problema, sem aumentar ou diminuir a informação recebida. Os pais nem sempre conhecem seus filhos!

É preciso um envolvimento geral, da sociedade, das comunidades, das famílias, dos governos para uma intervenção que mova e transforme tudo e todos que estão envolvidos com a educação. Modificar e repensar mentalidades e comportamentos não é tarefa rápida, mas nada é impossível quando o empenho e o trabalho sério acontecem.

São poucos os jovens que demonstram crença num futuro melhor por meio da educação. Por isso, a escola deve ser mais atraente, mais interessante para conseguir a participação desses jovens e fazê-los vislumbrar uma vida melhor. Esse trabalho, no entanto, tem de ser não apenas da escola, mas também da comunidade e da sociedade.

Concluímos que são diversas as causas da violência nas escolas: mudanças socioculturais marcadas pelo individualismo, a falta de referência da família, a crise dos valores e a falta de participação social, o intenso processo de urbanização, as migrações internas com suas conseqüências de desenraizamento social, cultural, afetivo e religioso, a acelerada industrialização, internet, a cultura do consumo, a enorme concentração de renda, a crise ética, a corrupção, o aumento da exclusão e do desemprego pelas quais está atravessando a sociedade e a maneira como essas mudanças influenciam o aumento da violência, normalmente entre os mais novos.

Valorizar o professor e dar meios reais do professor aplicar técnicas que valorizem também o aluno, para que assim os alunos se tornarem cidadãos de pleno direito. Será necessário prepará-los para pensar e resolver conflitos, ou teremos uma violência com tendência para aumentar cada vez mais. O ônus da educação não deve tão somente ser da escola. Neste aspecto, o papel da família é crucial, devendo a mesma ser chamada a intervir e a responsabilizar-se pela educação dos seus filhos.

Vale ressaltar que as boas experiências de superação da violência escolar sairão do interior das próprias escolas. A primeira tarefa urgente é a sociedade como um todo abolir o discurso, os projetos futuros e agir já, colocando em prática experiências positivas concretas.

 PONTO.

 



Escrito por Luciana às 18h06
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Digo adeus à ilusão
Mas não ao mundo. Mas não à vida,
Meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do terror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato

um poema
uma bandeira.

                            
Ferreira Gullar



Escrito por Luciana às 16h23
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Mais um pouquinho da 7ª Arte: Pequena Miss Sunshine

Um filme modesto pode se tornar grande. A prova é "Pequena Miss Sunshine”. Ganhador do Oscar de melhor roteiro original em 2007, a produção de orçamento minúsculo me cativou ao abordar temas pesados (adolescência problemática, fracasso profissional, homofobia, suicídio, desilusão amorosa e drogas) sem perder o senso de humor. Tudo graças a um elenco talentoso e bem dirigido, além de diálogos enxutos e precisos.

O longa é um "road movie". Uma família disfuncional atravessa o deserto, em uma Kombi amarela com defeito, para levar a caçula até a Califórnia onde será disputado um concurso de beleza para crianças. No caminho, os dramas dos seis personagens se agravam, criando um clima de tensão e ânimos exaltados. Apesar da "lavagem de roupa suja" sobre quatro rodas, o filme alimenta a esperança de que a família Hoover, bem como a da platéia no cinema, tem chance de se entender e ficar unida.

Ou seja, a imagem da família empurrando a Kombi não é à toa no filme dirigido pelo casal Jonathan Dayton e Valerie Faris.  Se não se agarrasse a um fio de otimismo no final da história, "Pequena Miss Sunshine" seria mais contundente ao mostrar a perversidade dos adultos em castrar a infância de seus filhos para realizar seus ideais de sucesso, fabricando uma geração de crianças plastificadas e pasteurizadas, tanto na beleza como nas atitudes para enfrentar seus conflitos.

Já assisti a muitos filmes, pois amo cinema. Poucos tiveram um sabor tão especial como este.  Roteiro, personagens, cenários, a Kombi, os atores, tudo maravilhosamente simples, maravilhosamente perfeito. A pequena Miss parece ser uma utopia de tão perfeita que é para o papel. O filme nos atinge em cheio, trazendo-nos a reflexão sobre nossas vidas. Gostaria de ressaltar uma cena em especial, quando a Miss toca seu irmão e o chama para voltar para a Kombi.

Imperdível!

Ponto.



Escrito por Luciana às 20h44
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Coisas que perdemos pelo caminho

Audrey Burke está em choque com a notícia que acaba de ser levada à sua porta pela polícia local: seu amado marido Brian, pai de seus dois filhos, foi morto em um ato de violência, com o qual ele não tinha nenhuma relação. Antes ancorada no amor e conforto do casamento de 11 anos, Audrey agora está à deriva. Por impulso, ela recorre ao amigo de infância do marido, Jerry Sunborne, um desamparado viciado em drogas. E, desesperada para preencher o doloroso vazio causado pela morte de Brian, Audrey convida Jerry para morar no quarto anexo à garagem da família na esperança de que ele possa ajudar a ela e suas crianças a lidar com a repentina perda.

Fonte: Cine Players

Halle Berry dá vida a uma personagem totalmente apática, sem expressão, sem emoção depois de perder o grande amor de sua vida - um papel que coube perfeitamente a ela.

Quando ela encontra-se com o personagem do Benicio Del Toro, atuação perturbadora e magnífica fica evidente que quer ser feliz novamente e reviver a paixão perdida, apesar de toda a 'armadura' que ela mesma colocou ao seu redor para enfrentar a morte do seu marido.

Ao mesmo tempo em que ele também necessita de ajuda para enfrentar os problemas com as drogas e a certa culpa que acaba tendo com a morte do melhor amigo e os erros cometidos no passado.

Nesse ponto, "Coisas que perdemos..." é excepcional. Consegue ser um melodrama sem ser meloso e desenvolve um roteiro belíssimo, além do trabalho dos planos ser excelente com o abuso dos closes nos personagens - mostrando o quanto para a diretora Susanne Bier é importante se estabelecer um paradoxo entre as personagens e quem está assistindo ao filme.

O filme consegue trabalhar, de uma forma diferenciada dos demais existentes, um tema tão constante em filmes dramáticos: a perda.

Não é o filme da minha vida, mas me emocionou.

Ponto.



Escrito por Luciana às 14h49
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Artigo interessante! Vale a pena ler!

Breve História de Quase Tudo

(...)

Um aspecto curioso de nossa existência é provirmos de um planeta exímio em promover a vida, mas ainda mais exímio em extingui-la.

A espécie típica na Terra dura apenas uns 4 milhões de anos. Desse modo, se quiser permanecer aqui por bilhões de anos, você precisa ser tão volúvel quanto os átomos que o constituem. Precisa estar preparado para mudar tudo em você - forma, tamanho, cor, espécie a que pertence, tudo - , e fazê-lo vezes sem conta. Isso é mais fácil de falar que de fazer, porque o processo de mudança é aleatório. Passar do “glóbulo atômico primordial protoplasmático” (como diz a canção de Gilbert e Sullivan) para ser um ser humano moderno, ereto e consciente exigiu uma série de mutações, criadoras de novos traços, nos momentos certos, por um período longuíssimo. Portanto, em diferentes épocas dos últimos 3,8 bilhões de anos, você teve aversão ao oxigênio e depois passou a adorá-lo, desenvolveu membros e barbatanas dorsais ágeis, pôs ovos, fustigou o ar com uma língua bifurcada, foi luzidio, foi peludo, viveu sob a terra, viveu nas árvores, foi grande como um veado e pequeno como um camundongo, e milhões de outras coisas. Se você se desviasse o mínimo que fosse de qualquer dessas mudanças evolucionárias, poderia estar agora lambendo algas em paredes de cavernas, espreguiçando-se como uma morsa em alguma praia pedregosa ou lançando ar por um orifício no alto da cabeça antes de mergulhar vinte metros para se deliciar com uns suculentos vermes.

Além da sorte de ater-se, desde tempos imemoriais, a uma linha evolucionária privilegiada, você foi extremamente - ou melhor, milagrosamente - afortunado em sua ancestralidade pessoal. Considere o fato de que, por 3,8 bilhões de anos, um período maior que a idade das montanhas, rios e oceanos de Terra, cada um dos seus ancestrais por parte de pai e mãe foi suficientemente atraente para encontrar um parceiro, suficientemente saudável para se reproduzir e suficientemente abençoado pelo destino e pelas circunstâncias para viver o tempo necessário para isso. Nenhum de seus ancestrais foi esmagado, devorado, afogado, morto de fome, encalhado, aprisionado, ferido ou desviado de qualquer outra maneira da missão de fornecer uma carga minúscula de material genético ao parceiro certo, no momento certo, a fim de perpetuar a única seqüência possível de combinações hereditárias capaz de resultar - enfim, espantosamente e por um breve tempo - em você.

(Disponível em:

<http://paginatreze.wordpress.com/category/ciencia/>. Acesso em: 16 out. 2008).

 



Escrito por Luciana às 12h10
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Livros proibidos

Como uma das principais características do Barroco na literatura, o culto do contraste, o pessimismo e o caráter moralista, a literatura era um instrumento dos religiosos para educar e "pregar".

Mas então, por que tantos livros proibidos?

A censura eclesiástica se tornou uma instituição em 1571 e que intensificou seus trabalhos nos séculos seguintes, como reação à reforma protestante e ao Iluminismo.
No século 19, quando a censura do Estado desapareceu paulatinamente na Europa e a censura religiosa deixou de ser praticada no mundo protestante, o "Index" ("Índice dos Livros Proibidos", pela Igreja Católica) se manteve e só foi abolido em 1966, sob o pontificado de Paulo 6º.
A decisão de quais títulos iria para a relação de livros proibidos dependia, em boa parte, do censor do turno. Alguns se mostravam radicais e inflexíveis e viam atentados contra a fé em todas as partes, enquanto outros preferiam ser cuidadosos para evitar problemas com proibições de títulos que não se desviavam das crenças católicas.

Os católicos eram proibidos de ler obras que figurassem no "Índice dos Livros Proibidos". Podiam ser condenados, portanto, por ler traduções da Bíblia.
A igreja, que tinha o latim como língua oficial, temia a leitura dos textos sagrados sem supervisão eclesiástica.

A Reforma Protestante do século 16 que criou, a partir do catolicismo, novas orientações religiosas estimulava os fiéis à leitura da Bíblia na sua língua materna. Muitas bíblias foram queimadas nas fogueiras da Inquisição.
A Inquisição foi estabelecida pelo papa Gregório 9º, em 1233, como uma corte especial para combater e impedir heresias. Aumentou suas atividades no século 15, principalmente na Itália, Espanha e Portugal. Ganhou força no século 16, para fazer frente à Reforma.
A partir de Portugal e Espanha, a Inquisição alcançou a América Latina. Chegou ao Nordeste do Brasil, no século 17, na forma de "visitações". Representantes do Santo Ofício viajavam à então colônia portuguesa e vigiavam a prática por cristãos de cultos judaicos, indígenas e africanos.

O Vaticano abriu em 1998 para teólogos e historiadores os arquivos relativos à Inquisição. Com a abertura dos arquivos, casos famosos, como o do monge italiano Giordano Bruno, queimado em Roma em 1600, ou do astrônomo Galileu Galilei, condenado por defender que a Terra se movimenta ao redor do Sol, ganharão novas explicações. Mas dezenas de outras histórias, como as perseguições aos cristãos-novos (judeus convertidos ao catolicismo), serão objeto de novas análises.
Parte dos documentos da época foi destruída. A igreja costumava queimar os papéis de assuntos mais delicados. Em 1810, quando Napoleão dominava grande parte da Europa, mais de 2.000 volumes foram queimados ou danificados.
Há hoje nos arquivos cerca de 4.500 volumes. Poucos são referentes a julgamentos por heresia. A maior parte detalha controvérsias teológicas e espirituais.

Ponto?!?

 



Escrito por Luciana às 11h58
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O dom de Dom Casmurro

Não é a estória contada que faz de Dom Casmurro uma grande obra literária. O modo como é contada é muito mais importante que a estória em si, ou seja, o romance é mais importante que a trama que ele conta.

Dom Casmurro foi publicado em 1900 e é um dos romances mais conhecidos de Machado. Narra em primeira pessoa a estória de Bentinho que, por circunstância várias, vai se fechando em si mesmo e passa a ser conhecido como Dom Casmurro.

Sucintamente a estória é a seguinte:

Machado de Assis trata deste livro na subjetividade, ou seja, na opinião de um determinado personagem, no caso de Dom Casmurro.

Bentinho mora no Engenho Novo, subúrbio do Rio de Janeiro, e decide de uma hora para outra resgatar sua vida; reconstruindo sua antiga casa e relatando suas memórias.  

O Narrador-personagem mora agora na Rua de Matacavalos onde viveu toda a sua infância até sua adolescência. Sua mãe dona Glória era viúva e vivia com mais dois parentes seus. O sonho de D.Glória era colocar Bentinho no seminário, para este se fazer padre. Tudo por causa de uma promessa feita quando ainda estava grávida de Bentinho. Porém, o garoto Bentinho apaixona-se por sua amiga Capitolina (Capitu) e promete a donzela que não irá se tornar padre e que irá casar-se com ela.

Aos dezesseis anos ele é levado para o seminário e lá conhece Escobar, rapaz que ao longo de toda narração irá se tornar um alvo na mira de Bentinho.

O tempo passa e Bentinho conseguiu finalmente largar o seminário, indo então para a Europa fazer faculdade de Direito. Quando retorna ao Brasil, já feito um renomado advogado, descobre que Escobar casou-se com Sancha (melhor amiga de Capitu).

Logo após sua chegada, Bentinho e Capitu casam-se e vão morar em outra cidade. Nasce Ezequiel, que vai modificar os pensamentos de Bentinho quando, ao longo do tempo o pequeno Ezequiel vai tomando semelhanças a Escobar. 

Anos passam-se e Escobar morre o que traz tristeza e desolação a Bentinho, o que vai gerar uma série de conflitos em seu casamento. Ezequiel toma a imagem semelhante de Escobar e é aí que a possível hipótese que houve um adultério entre Escobar e Capitu vai surgir na percepção de Bentinho. 

No ápice da loucura, Bentinho decide se matar, mas o carinho fraterno por Ezequiel faz ele desistir de tamanha façanha, mas revela sem saber a Ezequiel que ele não é seu filho. Capitu ouve tal declaração e pede explicações. Logo após a declaração de Bentinho, ele e Capitu se separam.

Capitu vai para a Europa com Ezequiel e Bentinho fica no Brasil. Os anos se passam e Ezequiel retorna ao Brasil, formado e formoso, trazendo-lhe a notícia que sua mãe havia falecido e que veio visitar o pai. Bentinho fica assustado ao ver a imagem do "defunto" após tantos anos. Contudo, Ezequiel não se demora no Brasil e viaja com uma excursão de Faculdade e em um dos países que visita acaba contaminado por uma doença e acaba morrendo.

Bentinho recebe a noticia que seu ''filho'' havia morrido, mas não faz muita menção ao fato.  

No final da estória existe a questão do possível adultério. Será que realmente Capitu e Escobar tiveram relações carnais? Será que eles realmente traíram Bentinho?

Ninguém sabe. Só o gênio, Machado de Assis.

As personagens de Dom Casmurro:

O protagonista masculino pode ser acompanhado em três fases distintas: Bentinho, Dr. Bento Fernandes Santiago e Dom Casmurro.

Capitu, com seus “olhos de ressaca” e de “cigana oblíqua e dissimulada”. Inteligente, prática, personalidade forte e marcante. Personagem que acaba se tomando a dona do      romance. No final, acusada pelo marido enciumado, revela-se nobre e altiva ao não responder as acusações. O seu silêncio confere a ela grandeza e contribui mais ainda para acentuar a dúvida que paira sobre seu adultério.

D. Glória, mãe de Bentinho, cedo assume as rédeas da casa com a morte do marido, o qual deixa a família bem amparada. “Minha mãe exprimia bem a fidelidade aos velhos hábitos, velhas maneiras, velhas idéias, velhas modas. Tinha o seu museu de relíquias, pentes desusados, um trecho de mantilha, umas moedas de cobre...”

Tio Cosme, viúvo como Dª Glória e Prima Justina, igualmente viúva: “era a casa dos três viúvos”.

José Dias era o agregado da família e gostava muito de Bentinho. “José Dias amava os superlativos” e usa-os com freqüência ao longo do romance, inclusive na hora de morrer quando se refere ao dia como “lindíssimo”.

Escobar, muito amigo de Bentinho. Eram colegas de seminário. Ele era casado com Sancha, melhor amiga de Capitu. Escobar revela-se um tanto quanto misterioso.

Ezequiel, arqueólogo e filho de Bentinho com Capitu, pejorativamente chamado pelo pai de “filho do homem”.

Pádua, pai de Capitu, o qual era um modesto funcionário público, e sua esposa, Fortunata, muito econômica, também forte como a filha Capitu. Padre Cabral, muito amigo de Tio Cosme, com quem ia jogar às noites.

Tempo:

Dom Casmurro foi escrito em 1900. A trajetória vai do ano de 1857 até meados da década de 1890.

Lúcia Miguel Pereira, biógrafa e estudiosa do escritor, afirma que "tal obra não poderia ter saído de tal homem", pois, "Machado de Assis liberou o demônio interior e começa uma nova aventura".

A análise de caracteres, numa verdadeira dissecação da alma humana é a segunda fase. Machado adota o realismo social, na medida em que um dos objetivos do autor é denunciar e representar alguns aspectos da vida social do século XIX, particularmente a sociedade carioca, que ele conheceu bem de perto. Não se trata, porém, de uma denúncia social pura e simples. É com ironia, característica talvez mais marcante, e de um estilo simples, conciso, limpo, livre de afetações e exageros literários, além de uma penetrante capacidade de análise psicológica de seus personagens e do próprio ato de escrever um livro.

Espaço:

A estrutura narrativa alterna a narração da ação e a reflexão sobre a mesma. Ambas tendo por palco o Rio de Janeiro do Segundo Império, pois há inúmeras referências a lugares, ruas, bairros, praças, teatros, salões de baile da cidade.

 Por outro lado, há também ligeiras referências a São Paulo, onde foi estudar Direito o ex-seminarista Bentinho, e também à Europa onde morre Capitu, e mesmo aos lugares sagrados, onde morre Ezequiel (Jerusalém).

Narrador:

Machado inventou, antes de tudo, uma voz narrativa, um ponto de vista por meio do qual se narra uma história. Essa voz é a do próprio personagem central, Bento de Albuquerque Santiago, que irá narrar, já velho (e apelidado significativamente de "Dom Casmurro"), a história de sua vida, começando por sua infância e adolescência (quando era chamado de Bentinho). O narrador, portanto, é o personagem central modificado pelo tempo.

Na narração de Dom Casmurro, o narrador-personagem, Bento Santiago, narra em 1ª pessoa a história vivida por ele próprio. É muito latente a ruptura entre a verossimilhança da história apresentada e a realidade propriamente dita, uma vez que não podemos afirmar que o narrador seja imparcial à sua história, pois os fatos são extraídos das lembranças do narrador.

Com esse artifício, Machado nos mostra, como o narrador é um personagem, toda a narrativa está condicionada à sua própria visão dos acontecimentos; o personagem faz a sua narrativa em um tempo muito posterior ao dos acontecimentos narrados.

Trata-se, desse modo, de um texto em que a realidade tem múltiplas interpretações, pontos de vista conflitantes, aberto a várias possibilidades de significados e leituras.

É o mundo visto por Bentinho, ou melhor, o mundo que ele “quis” ver ou que ele “podia” ver, segundo o filtro de seu ciúme e de sua paranóia e insegurança em relação à Capitu e seus sentimentos. O mais engraçado é que ninguém pode contrariá-lo, uma vez que todos estão mortos. A visão de Bentinho é única e exclusiva, ou seja, o narrador- personagem é sem dúvida o protagonista total desse romance, uma vez que não há como confrontar os fatos com os demais personagens.

Nesse romance podemos desconfiar, nós leitores, da verossimilhança ficcional que se instaurou por meio do narrador- personagem e sua versão apresentada dos fatos unilateralmente.

O foco narrativo em 1ª pessoa é decisivo. Há duas tendências interpretativas dominantes sobre a intensidade e a violência dos ciúmes do narrador-protagonista do romance. A primeira, mais sociológica, aponta para a situação de senhor patriarcal de Bento Santiago, cuja condição o faz enxergar a mulher como uma propriedade sua, assim como aos amigos e agregados. A segunda interpretação, mais psicológica, identifica uma insegurança paranóica e, portanto, doentia, que o faz desconfiar de tudo e de todos, até mesmo dos mortos.



Escrito por Luciana às 13h45
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